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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Na noite

Carregue minha Alma pela noite
Que as Estrelas guiem meu caminho
Eu glorifico em minha visão
Enquanto a escuridão rouba o dia

Carregue minha alma pela noiter
Que as Estrelas iluminem meu caminho
E a visão se glorifica
Enquanto as Trevas rubam o dia

Cante a música de vida
Vivam sem arrependimentos
Diga a eles, aos que amei (cante uma música)
Eu nunca os esquecerei (uma música de vida)
Nunca os esquecerei

Diga a eles
Aos que eu amei
Eu nunca os esquecerei
Nunca os esquecerei

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Esperança

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Mário Quintana
Texto extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Outono

Celebra il Vilanel con balli e Canti
Del felice raccolto il bel piacere
E del liquor de Bacco accesi tanti
Finiscono col Sonno il lor godere

Fà ch' ogn' uno tralasci e balli e canti
L' aria che temperata dà piacere,
E la Staggion ch' invita tanti e tanti
D' un dolcissimo Sonno al bel godere.

I cacciator alla nov' alba à caccia
Con corni, Schioppi, e canni escono fuore
Fugge la belua, e Seguono la traccia;

Già Sbigottita, e lassa al gran rumore
De' Schioppi e canni, ferita minaccia
Languida di fuggir, mà oppressa muore.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Balada do amor através das idades

Balada do amor através das idades

Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles
espirituoso e devasso,
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.
(DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Obra Completa. RJ:José Aguilar, 1972)



quinta-feira, 20 de maio de 2010

I frutti della solitudine
“La morte non è che attraversare il mondo,
come gli amici attraversano i mari;
continuano a vivere l'uno nell'altro.
Poiché devono essere presenti,
amare e vivere ciò che è onnipresente.

In questo divino specchio si vedono faccia a faccia;
e il loro riflesso è libero e puro.
Questo è il conforto degli amici:
che,pur se si possono dir morti,
la loro amicizia e compagnia sono,
nel miglior senso,sempre presenti,
poiché immortali.”

William Penn
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A morte é apenas uma travessia do mundo,
como os amigos atravessam o mar
e permanecem vivos uns nos outros.

Porque sentem a necessidade de estar presentes,
para amar e viver o que é onipresente

Neste espelho divino vêem-se face a face;
e a sua conversa é livre e pura.
É este o consolo dos amigos
e embora se diga que morrem,
sua amizade e convívio estão,

no melhor dos sentidos,
sempre presentes,
porque são imortais.

William Penn, More Fruits of Solitude